sábado, 6 de dezembro de 2014

Primeira impressão

Eu me lembro perfeitamente de como o conheci e isso me deixa embaraçada. Falar de coisas que não compreendo me deixa embaraçada, pois não posso argumentar racionalmente e muito menos apresentar teorias formuladas. E mesmo que pudesse, acho que não existe nenhum termo que explique o que eu senti quando o vi pela primeira vez, o mais parecido seria o bom e velho clichê "amor à primeira vista", porém eu não chamaria de amor. 
Foi algo parecido com o acender de luzes no início do espetáculo, ou do filme mais esperado do ano. Você está lá naquela sala chata de cinema, contando os segundos para a tela se iluminar. Seus olhos buscam ao redor qualquer sinal de que isso vai acontecer, você não consegue parar quieto, a ansiedade é maior que tudo. E aí o relógio marca o horário exato do filme e a cada segundo de atraso seu nervosismo aumenta, mas então a tela se acende e a sensação é de total euforia e alívio. Foi assim que ele entrou no meu campo de visão. E naquele segundo algo brilhou tão forte e mexeu comigo de uma forma tão diferente, tão esperançosa, tão... Ingênua. 
Depois daquele minuto eu não conseguia mais tirar os olhos dele, era como se tivesse um ímã que me puxasse constantemente a cada mínimo movimento que o mesmo fazia, cada pequeno detalhe não passava despercebido. E a voz, ah, a voz! O timbre acetinado que mais parecia um sorriso em forma de som e os olhos curiosos que observavam tudo ao redor, assim como eu.
 A gente não se conhecia, nos vimos somente uma vez, não nos falamos, mas isso foi o suficiente para a ilusão começar. E como toda boa ilusão, ela te leva para cima como em uma montanha russa e quando desce te estilhaça inteira, e foi exatamente isso que aconteceu. O desfecho não precisa ser contado, pois eu acho que seria tão rude contrastar um momento desses, tão cheio de... borboletas no estômago, com um final amargo. O importante é eternizar aquilo que foi bom.
E é sempre importante lembrar que nessas situações não há vítimas e muito menos culpados, sentimentos são tão estranhos e controversos que não seria justo acusar alguém, ou a si próprio, por causa deles. O que resta no final são apenas alguns cacos quebrados pelo caminho e o melodrama de uma escritora anônima.



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